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Archive for dezembro \29\UTC 2009

I

Confira
tudo que
respira
conspira

II

Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso

III

Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi

IV

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

V

O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

 

Sobre o autor…

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Letra:

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Do mesmo modo que te abriste à alegria

abre-te agora ao sofrimento

que é fruto dela

e seu avesso ardente.

 

Do mesmo modo

que da alegria foste

ao fundo

e te perdeste nela

e te achaste

nessa perda

deixa que a dor se exerça agora

sem mentiras

nem desculpas

e em tua carne vaporize

toda ilusão

 

que a vida só consome

o que a alimenta.

 

De Barulhos (1980-1987)

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Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.

 
Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;

 
Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde

Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.

 

(MALLARMÉ ;  Augusto de Campos, Decio Pignatari, Haroldo de Campos; Editora Perspectiva.)

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As três moças de Encruzilhada Era uma vez três moças que moravam na florescente cidade de Encruzilhada. E, como eram três moças muito sérias, faltava-lhes o senso de humor e tomavam ao pé da letra o nome de sua cidade natal. E nunca sabiam onde ir, o que fazer, o que responder…

Para acabar com essa dúvida atroz, depois de infindáveis hesitações, resolveram o seguinte: a primeira sempre diria “sim”, a segunda que não e a terceira responderia com ar sonhador:

— Talvez…

Ora, um dia a Morte apareceu à primeira, e a moça disse que sim.

 A Morte a levou.

No outro dia a Morte apareceu à segunda e esta disse que não.

— Como ousas contrariar-me? — a Morte retrucou. — Eu sou a única Potestade do Céu e da Terra a quem ninguém pode dizer “não”.

E levou a moça. Enfim, no terceiro dia, a Morte apresentou-se à última das três — e a moça ficou olhando, olhando a cara da Morte e finalmente suspirou:

— Talvez…

E a Morte retirou-se, danada da vida.

 

(Da Preguiça como Método de Trabalho – Mario Quintana)

 

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=

O que tens essa manhã, ó musa de ar magoado?

Teus olhos estão cheios de visões noturnas,

E vejo que em teu rosto afloram lado a lado

A loucura e a aflição, frias e taciturnas.

=

Teria o duende róseo ou o súcubo esverdeado

Te ungido com o medo e o mel de suas urnas?

O sonho mau, de um punho déspota e obcecado,

Nas águas te afogou de um mítico Minturnas ?

=

Quisera eu que, vertendo o odor da exuberância,

O pensamento fosse em ti uma constância

E que o sangue cristão te fluísse na cadência


Das velhas sílabas de uníssona freqüência,

Quando reinavam Febo, o criador das cantigas,

E o grande Pã, senhor do campo e das espigas.

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Letra…

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