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Archive for abril \27\UTC 2010

os cotovelos. batem folhas da luz
um pouco abaixo do silêncio. Quero saber
o nome de quem morre: o vestido de ar
ardendo, os pés e movimento no meio
do meu coração. O nome: madeira que arqueja, seca desde o fundo
do seu tempo vegetal coarctado.
E, ao abrir-se a toalha viva, o
nome: a beleza a voltar-se para trás, com seus
pulmões de algodão queimando.
Uma serpente de ouro abraça os quadris
negros e molhados. E a água que se debruça
olha a loucura com seu nome: indecifrável cego

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(de algum lugar do passado, que teima voltar)

Acho que bom,
mas bom mesmo
deve ser um amor de segunda-feira
de supetão
sem espera
sem razão, sendo…

daqueles sem agenda

de um encontro casual
ver algo mais
ser algo mais
(quase que um deslize)

Num dia qualquer
dia D

raiva
chuva
alegria
revolta
certeza

deve ser bom ter isso de lembrança,
para contar
com um sorriso de memória.

(eu sei que é pieguice meu caro leitor,
ingenuidade e mais…
só que hoje é um dia de chuva,
já bebi,
já escutei Tom e Vinicius,
agora preciso de um tema para um sono tranqüilo.)

(lyard – junho de 2007)

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1.

Fomos apresentados por um empurrão

ela usava verde

eu usava a mão.


2.

– Moças venham ver!

– é a novidade!

(já não é mais.)


3.

A diferença entre o andor e o amor

é que o segundo caminha junto na procissão.


(lyard)

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Essa música é espetacular (coisa que Cazuza também percebeu..), com uma poesia simples, em seu estilo, mas genial em conteúdo… Vale muito a pena ouvir!

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LÁPIDE 2


epitáfio para a alma

aqui jaz um artista
mestre em disfarces

viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte

deus tenha pena
dos seus disfarces

(mais…)

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Paulo Leminski. Se há um poeta que me incendiou, foi esse. Lembro de Drummond, Bandeira, Murilo Mendes, Cecília Meireles, entre outros tantos que li, ainda na escola e que muito me impressionaram e me acompanham até hoje. Mas nada parecido com o efeito “Leminski”. Foi diferente, dele conhecia pouca coisa, sabia que havia escrito haikais e que tinha ligações com a MPB, mas isso logo mudaria. Por vários motivos acabei indo morar em Curitiba. Logo que cheguei um amigo me levou para um passeio “turístico” pela capital. O passeio estava morno, até que me deparei com uma tal “Pedreira Paulo Leminski”. Descobri logo que se tratava de um espaço para shows, entretanto o que me interessou nesse lugar foi o pequeno museu em homenagem a Leminski. Para falar a verdade, o que me intrigava mesmo era saber o porquê do poeta ser tão ligado com a cidade, afinal em todo canto da cidade havia referências a ele. Primeiro pensei que fosse algum tipo de bairrismo. Felizmente descobri que não era. Comecei a ler Leminski. Primeiro foi um livro que um amigo me deu, chamado “Distraídos Venceremos”, o mesmo amigo que tinha me apresentado a cidade e um pouco da vida do “poeta-judoca”. Logo as leituras se tornaram mais constantes, frenéticas, o que mais me surpreendia (e até hoje ainda é assim) era como Leminski fazia poesia de tudo – natureza, artes marciais, futebol, política, de sua própria vida. Só que não é qualquer poesia. É uma mistura de simplicidade, talvez trazida do haikai e do zen budismo, misturada com uma erudição ímpar, abusando da experiência com a língua, ou melhor, com as linguagens, entretanto sem cair no “hermetismo acadêmico” dos concretistas (e olha que eu gosto de poesia concreta). Leminski para mim é o que se pode chamar de mestre. E diante disso, só me resta dizer: LEIA LEMINSKI.

(lyard)

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Era muito cedo, pela manhã, as ruas estavam limpas e vazias, eu ia à estação. Ao verificar a hora em meu relógio com a do relógio de uma torre, vi que era muito mais tarde do que eu acreditara, tinha que apressar-me bastante; o susto que me produziu esta descoberta me fez perder a tranqüilidade, não me orientava ainda muito bem naquela cidade. Felizmente havia um policial nas proximidades, fui até ele e perguntei-lhe, sem fôlego, qual era o caminho. Sorriu e disse: — Por mim queres conhecer o caminho? — Sim – disse –, já que não posso encontrá-lo por mim mesmo. — Renuncia, renuncia – disse e voltou-se com grande ímpeto, como as pessoas que querem ficar a sós com o seu riso.

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