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Archive for fevereiro \26\UTC 2011

Na calçada onde cai pela primeira vez não pude encontrar nada, mas nem por isso deixava de cair. Outro dia estava eu novamente no chão, só tinha lembranças, e então escutei quando alguém disse:

– Esse nem precisa ir para o hospital.

(Morri por ali mesmo. Questão bem resolvida.)

 

lyard

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cada dia é um
da mesma forma
um é cada dia
não há lógica
nisso?
não há
?
lógica não
fica tudo na mes
ma
cada dia é um
da mesma forma
um é cada dia
… (loop)

(lyard)

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Este fevereiro azul

como a chama da paixão

nascido com a morte certa

com prevista duração

deflagra suas manhãs

sobre as montanhas e o mar

com o destino de tudo

que está para se acabar

A carne de fevereiro

tem o sabor suicida

de coisa que está vivendo

vivendo mas já perdida

Mas como tudo que vive

não desiste de viver,

fevereiro não desiste:

vai morrer, não quer morrer,

E a luta de resistência

se trava em todo lugar:

por cima dos edifícios

por sobre as águas do mar.

O vento que empurra a tarde

arrasta a fera ferida,

rasga-lhe o corpo de nuvens,

dessangra-a sobre a Avenida

Vieira Souto e o Arpoador

numa ampla hemorragia.

Suja de sangue as montanhas,

tinge as águas da baía.

E nesse esquartejamento

a que outros chamam verão,

fevereiro ainda agonia

resiste mordendo o chão.

Sim, fevereiro resiste

como uma fera ferida.

É essa esperança doida

que é o próprio nome da vida.

Vai morrer, não quer morrer.

Se apega a tudo que existe:

na areia, no mar, na relva,

no meu coração – resiste.

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Vai, livro natimudo,

E diz a ela

Que um dia me cantou essa canção de Lawes:

Houvesse em nós

Mais canção, menos temas,

Então se acabariam minhas penas,

Meus defeitos sanados em poemas

Para fazê-la eterna em minha voz

 

Diz a ela que espalha

Tais tesouros no ar,

Sem querer nada mais além de dar

Vida ao momento,

Que eu lhes ordenaria: vivam,

Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,

Rubribordadas de ouro, só

Uma substância e cor

Desafiando o tempo.

 

Diz a ela que vai

Com a canção nos lábios

Mas não canta a canção e ignora

Quem a fez, que talvez uma outra boca

Tão bela quanto a dela

Em novas eras há de ter aos pés

Os que a adoram agora,

Quando os nossos dois pós

Com o de Waller se deponham, mudos,

No olvido que refina a todos nós,

Até que a mutação apague tudo

Salvo a Beleza, a sós.

 

(tradução de Augusto de Campos)

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No calor do olhar, construção
nada é verdadeiro aqui
(mas quando é que foi?)

Bailo minhas mãos
em corpos outros
sendo
sem
sou
soldo
somo
s
(não têm plurais, não hoje)

 

quantos olhos ó (!) meu deusinho
olhos congelantes, só (!) meu deusinho
?
sou
só só só
sou sou sou só
– s

 

(qual é o plural dos olhos?)
soul o que sou
pelos terceiros

obrigado deusinho
obrigado
pelos outros.

 

(lyard)

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