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Archive for abril \29\UTC 2011

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!


Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!


Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!


Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
“— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
— Um colar… — Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!”


Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!


Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!


Fora! Fu! Fora o bom burguês!…

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» do álbum “Tudo Que Respira Quer Comer”, clique aqui e conheça mais desse genial artista!

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Quando o português chegou

Debaixo duma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena! Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português

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diante da flor

o menino sonha sonhar

sonhos de uma natureza ímpar

(já a flor não sonha, naturalmente ela é.)

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Da vida só têm substância
a casca e o caroço.
No meio só tem amido,
embromações do carbono.
Porém todo o gosto reside
nessa carne intermediária,
sem valor alimentício,
sem realidade, sem nada.

É nela que os dentes encontram
o que os mantém afiados;
com ela é que a língua elabora
a doce palavra.

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Ah a frescura na face de não cumprir um dever! 
Faltar é positivamente estar no campo! 
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós! 
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros, 
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo, 
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha. 
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida. 
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação. 
E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora, 
Deliberadamente à mesma hora… 
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico. 
É tão engraçada esta parte assistente da vida! 
Até não consigo acender o cigarro seguinte… Se é um gesto, 
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida. 


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