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Archive for the ‘Poesia Brasileira’ Category

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Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho

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O menino ia no mato

E a onça comeu ele.

Depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino

E ele foi contar para a mãe.

A mãe disse: Mas se a onça comeu você, como é que

o caminhão passou por dentro do seu corpo?

É que o caminhão só passou renteando meu corpo

E eu desviei depressa.

Olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia.

Eu não preciso de fazer razão.

 

(em Tratado geral das grandezas do ínfimo)

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o meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente

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Sinfonia ligeira
Não chega ao fim
Queira ou não queira
Eu sou é assim

Te dei meu corpo
Te dei minha pele
Mesmo depois de morto
Esta força me impele

Força dos grandes destinos
Que estão muito além
Dos hinos e dos sinos
E do aum e/ou do om e do amém

Mas te amo, te amo, te amo
Como nunca se amou na Terra
Nem no Brasil, no Vietnã ou no oceano
Nem na China nem na Inglaterra

Monstro dourado
De amor e dengue
Sou eternamente gamado
Nestes quadris que dançam merengue

Fico feliz
Quando tu chegas
És a matriz
Das minhas horas mais negras

De onde tu vens?
De onde? De onde?
Será que tu é quem tens
O ouro do conde?
Falo bobagem
Começo a ser fragmento
A grande chantagem
É a morte a todo momento

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Folha sobre folha
verde sobre cinza sobre folha
vento sobre folha
lento pobre manto cobre tanta
folha sobre folha.

O tempo se acumula,
quando sobre nunca,
até que o passado ressurja inteiro,
coberto de folhas,
memória liberta de si mesma.

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Leia o poema…

(mais…)

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Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin…

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Tenho tudo o que não quero.

Perder não é senão o intervalo

entre aguardar e nada ter.

(Que melodia é esta que povoa

o espaço em meu redor?)


Tenho tudo. Nada quero.

Meu coração desconhece

o compasso que amanhece

tudo em torno.

                   No entanto,

meus passos seguem.

No encalço de quê?


Tenho tudo: a noite

abrigada em meu peito,

a música de meus passos,

a relva, a distância coberta

por inesquecível melodia.

Não quero mais do que tenho.

(Um canto flutua no ar vazio.)


Tenho tudo:

os pássaros que me fogem dos olhos

para saudar, no horizonte,

a úmida manhã que principia.

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Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

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