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Archive for the ‘Poesia Francesa’ Category

De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

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É um vão de verdura onde um riacho canta
A espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.

Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.

Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.

E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
Tem dois furos vermelhos do lado direito.

(Tradução:  Ferreira Gullar)

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Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.

 
Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;

 
Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde

Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.

 

(MALLARMÉ ;  Augusto de Campos, Decio Pignatari, Haroldo de Campos; Editora Perspectiva.)

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=

O que tens essa manhã, ó musa de ar magoado?

Teus olhos estão cheios de visões noturnas,

E vejo que em teu rosto afloram lado a lado

A loucura e a aflição, frias e taciturnas.

=

Teria o duende róseo ou o súcubo esverdeado

Te ungido com o medo e o mel de suas urnas?

O sonho mau, de um punho déspota e obcecado,

Nas águas te afogou de um mítico Minturnas ?

=

Quisera eu que, vertendo o odor da exuberância,

O pensamento fosse em ti uma constância

E que o sangue cristão te fluísse na cadência


Das velhas sílabas de uníssona freqüência,

Quando reinavam Febo, o criador das cantigas,

E o grande Pã, senhor do campo e das espigas.

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