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Archive for the ‘poesia’ Category

Ah a frescura na face de não cumprir um dever! 
Faltar é positivamente estar no campo! 
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós! 
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros, 
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo, 
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha. 
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida. 
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação. 
E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora, 
Deliberadamente à mesma hora… 
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico. 
É tão engraçada esta parte assistente da vida! 
Até não consigo acender o cigarro seguinte… Se é um gesto, 
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida. 


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As noites se fixam
sob teu olho. As sílabas re-
colhidas pelos lábios — belo,
silencioso círculo —
ajudam a estrela rastejante
em seu centro. A pedra,
um dia perto da fronte, abre-se aqui:
ante todos os
espalhados
sóis, alma,
estavas, no éter.

( tradução: Claudia Cavalcanti )

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As águas silentes

E a névoa sobre o capim —

Entardece agora.

Buson

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hoje à noite
até as estrelas
cheiram a flor de laranjeira

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Estou
E num breve instante
Sinto tudo
Sinto-me tudo

Deito-me no meu corpo
E despeço-me de mim
Para me encontrar
No próximo olhar
.
ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão
.
nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz e a poeira

A vida (ensinaram-me assim)
Deve ser bebida

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Desolação de inverno —
Ao passar pela pequena aldeia,
Um cão late.

Shiki (1866-1902)

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Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
– Como quereis o equilíbrio?

(sobre o autor)

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Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz-
Ter por vida a sepultura.

Grécia, Roma, Cristandade,
Europa – os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?

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Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


sobre a autora

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o vento passou
restou apenas
o aceno das árvores


(Alice Ruiz)

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