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Posts Tagged ‘sentido’

Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho

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Operária

temtemtem

temtem

tem,

e no bolso ela não tinha nada.

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Tenho tudo o que não quero.

Perder não é senão o intervalo

entre aguardar e nada ter.

(Que melodia é esta que povoa

o espaço em meu redor?)


Tenho tudo. Nada quero.

Meu coração desconhece

o compasso que amanhece

tudo em torno.

                   No entanto,

meus passos seguem.

No encalço de quê?


Tenho tudo: a noite

abrigada em meu peito,

a música de meus passos,

a relva, a distância coberta

por inesquecível melodia.

Não quero mais do que tenho.

(Um canto flutua no ar vazio.)


Tenho tudo:

os pássaros que me fogem dos olhos

para saudar, no horizonte,

a úmida manhã que principia.

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» do álbum “Tudo Que Respira Quer Comer”, clique aqui e conheça mais desse genial artista!

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Da vida só têm substância
a casca e o caroço.
No meio só tem amido,
embromações do carbono.
Porém todo o gosto reside
nessa carne intermediária,
sem valor alimentício,
sem realidade, sem nada.

É nela que os dentes encontram
o que os mantém afiados;
com ela é que a língua elabora
a doce palavra.

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cada dia é um
da mesma forma
um é cada dia
não há lógica
nisso?
não há
?
lógica não
fica tudo na mes
ma
cada dia é um
da mesma forma
um é cada dia
… (loop)

(lyard)

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O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

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