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Posts Tagged ‘Luiz Guilherme Libório Alves’

(pro Lyard)

 

Num lugar onde ninguém mais pisara

Um menino.

 

No menino

A estranheza vertical de estar tão cheio de solidão.

 

Na Terra onde ninguém mais havia pisado

Estavam todos

No menino.

 

No menino

Tudo e a ausência de tudo.

Mas nem todo planeta chega a ser Mundo.

 

(e tem mais aqui!)

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Para o Lyard

Nessa cidade de ritmo gorduroso
onde homens de pedra
inteligentes
simplesmente aceitam

é preciso ter músculos firmes
para gargalhar
ao ser jogado no abismo das eras
sem idade

é preciso ter nervos de alúminio inferrujável
para aguentar
o gemido alto da malandragem
e o olhar incauto da pureza
desfigurada

é preciso ser bom para si
para respirar baixo
e não ser encontrado

(E essa febre que não passa!)
(E esse dente que não cai!)
(E essa criança que não nasce!)
(E esse mundo esperando sabe-se lá o quê para acabar!)

o que falta no oxigênio
é ar.

(Esperança não
ar)

E
para não me acizentar
qual toda cidade
(é necessário fôlego…)
lato.

E meu urro
é quase tão alto
quanto o chiado dos ratos.

(e tem mais aqui!)

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Mas se as nuvens não têm culpa
pelas enchentes que entornam

Nem o sol será julgado
por machucar, qual toda estrela,
por queimar a pele tenra
dos terráqueos que o cultuam

como poderíamos culpar
os homens de lixo
que se tornam assassinos
ao ver seu irmão matar
e se tornar rei por isso?

Como culpar-nos
se, principesco ou plebeu,
somos algo fixo?

(A gente é
o lugar onde nasceu).

E tem mais poemas aqui!

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Candidatura

Se o Dono do Mundo fosse eu
E a mim o povo fizesse oração…
Não mandava pro inferno ateu
Nem ajoelhava crente no chão

Dava, até para a mulher mais feia,
Um Romeu para levá-la na mão
E ao homem, mesmo chave de cadeia,
Aquela Morenaça mais um cão.

Por que privatizar o paraíso
Se feliz a maldade ninguém beira?
Se me tornarem Dono, digo:

‘Abandono agora a peneira!’
Que feliz nem Guevara guerreia…

Que a bondade surge do riso.

(e tem mais aqui!)

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É estranho: Somos profetas inúteis de nós mesmos.
Se sei que no futuro vou chamar o que sou hoje de imaturo…
Por que não começo a me agradar desde já?

(Luiz Guilherme Libório Alves, leia mais aqui.)

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O amor é como um descascar fruto descalço no meio do mato. É como ser acertado por sumo de tangerina nos olhos e não se importar. É um rasgar sorridente de ambos.
Só poderá fazer poesia de amor, portanto, aquele que perceber o impossível e desnecessário que é o reconstruir da casca que antes guardava tanto o coração quanto a fruta.

Impossível, porque é só uma vez que se corta a pele e se continua vivo.
Desnecessário, porque a semente já habita o ventre a algum tempo.

(Luiz Guilherme Libório Alves, leia mais aqui.)

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-Mas suponhamos que haja esse Deus. Um Deus que possa mesmo ser escrito assim, com letra maiúscula. O Pai que você queria ter tido, mas não teve. Bom, e só bom, para você, e justo, só justo, para os que não são você. Que tanto Nietzsche quanto Cristo, tanto Maomé, quanto Dawkins estavam errados. Que ele seja o todo, o todo real, de todas as cores, que até mesmo o negro seja considerado cor nele, e que adicionado às outras, seja branco também. Que mesmo que ele seja o todo, indo contra todas as regras universais que supostamente tenha ele criado, ele seja tudo, sendo até mesmo o futuro, e que por isso nada mais necessite ser criado por já estar existindo nele. Tudo belamente e providencialmente equilibrado. Que o brilho de vida que emana de tudo venha dele.

Em suma, suponhamos que haja esse Deus.
Você não continuaria com medo?

(Luiz Guilherme Libório Alves – Leia mais aqui)

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